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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (SINTEAM) denunciou, hoje, ao Ministério Público do Trabalho (MPT) a falta de suporte técnico e financeiro, por parte da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), para o atendimento dos alunos durante o programa “Aula em Casa”. A denúncia foi feita durante audiência pública ocorrida de forma virtual em que participaram, além do sindicato, o MPT, SEDUC e Asprom.

A professora Beatriz Calheiro, diretora do SINTEAM, disse que os professores nunca receberam equipamentos, nem auxílio financeiro para custear o uso de internet no atendimento aos alunos com aulas, tira-dúvidas, exercícios e atividades extras.

No dia 11 de fevereiro, o SINTEAM enviou ofício à secretaria estadual cobrando apoio financeiro para aquisição de recursos tecnológicos aos professores, pedagogos e a todos que estiverem diretamente envolvidos nas aulas em casa, a fim de otimizar as aulas à distância. Também pediu a disponibilização de insumos (chips, pacotes de Internet, e/ou auxílio financeiro para custear despesas extras) para trabalhadores em educação e alunos.

A procuradora do Trabalho, Adriana Cutrim, questionou a SEDUC sobre o suporte pedido pelo sindicato. A secretária executiva Adjunta da capital, Arlete Mendonça, disse que a secretaria distribuiu 12 mil chips para os profissionais e deu a entender que os professores “não estão dando aula”, somente fazendo acompanhamento dos estudantes.

“O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Fundação Carlos Chagas, o DIEESE e outras instituições de pesquisa já provaram que nossa jornada de trabalho aumentou durante a pandemia, além disso – nossos salários estão congelados desde 2019 e, se antes tirávamos dinheiro do bolso para comprar pincel para o quadro branco, hoje tiramos para pagar energia elétrica, celular, ar-condicionado, ventilador e internet. Afirmar que não estamos dando aula, não é justo, nem correto já que nosso objetivo é participar do processo e entregar um bom trabalho mesmo com salários congelados”, disse Beatriz Calheiro.

O MPT disse que vai notificar a SEDUC para que eles informem quantos chips distribuíram, qual tamanho do pacote de dados de internet, quem recebeu e fazer o acompanhamento junto aos trabalhadores que receberam “pois muitos se queixam que a internet não funciona”, afirmou a diretora do SINTEAM. O ministério também vai cobrar treinamento dos profissionais.

Não há previsão para o retorno das aulas híbridas nem presenciais, segundo a representante da SEDUC.

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