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Em uma cena nunca vista em público no Salão Oval da Casa Branca, Donald Trump e Volodimir Zelenski bateram boca sobre os rumos da Guerra da Ucrânia, levando o visitante a deixar o encontro sem a prevista entrevista coletiva.
“Ele pode voltar quando estiver pronto para a paz”, escreveu na rede Truth Social Trump enquanto Zelenski ainda estava na sede do governo, onde ficou apenas 2h20min nesta sexta-feira (28). Segundo funcionários da Casa Branca vazaram à imprensa americana, Trump ordenou a saída do colega.
A reunião foi marcada após o tumulto geopolítico causado por Trump quando ligou para Putin e iniciou negociações bilaterais sobre a Guerra da Ucrânia e a normalização da relação entre Rússia e EUA, invertendo o sinal da política americana para a crise.
Ao vivo, o americano ameaçou o ucraniano, dizendo que os EUA “estarão fora” se ele não aceitar uma trégua com Vladimir Putin, que invadiu o vizinho há três anos.
O encontro foi um desastre de grandes proporções para Kiev e jogou fora o esforço de líderes europeus de aproximar os presidentes, nove dias depois de Trump ter chamado Zelenski de ditador. O republicano, por sua vez, corroborou sua posição de alinhamento à visão de Putin sobre o conflito.
Zelenski chegou com sangue nos olhos ao começo do encontro, que foi aberto à imprensa. “Você disse que chega de guerra. Eu acho que é muito importante dizer essas palavras para Putin lá no começo, porque ele é um assassino e um terrorista”, disparou Zelenski em sua introdução.
“Eu sou a favor da Ucrânia e da Rússia”, disse um assustado Trump, que depois foi ao ataque, dizendo que Zelenski estava “jogando com a Terceira Guerra Mundial” ao buscar opor os EUA e o Ocidente à Rússia. “O que você está dizendo é desrespeitoso com esse país”, afirmou, com dedo em riste.
A temperatura subiu ainda mais com a intervenção do vice de Trump, J. D. Vance, que cobrou o visitante: “Você já disse obrigado?”. “Eu acho desrespeitoso você vir aqui no Salão Oval e dizer essas coisas em frente à mídia americana”, completou. A embaixadora ucraniana nos EUA, Oksana Markarova, afundou a cabeça entre as mãos na plateia.
“O seu país está em apuros. Você não está ganhando”, disse. “Nós demos US$ 350 bilhões a vocês, se vocês não tivessem nosso material militar, teriam perdido em duas semanas. Vocês têm de mostrar gratidão”, disse o presidente americano, cobrando um cessar-fogo e exagerando em três vezes o apoio dado pelos EUA a Kiev.
Trump disse que “eu empoderei você para ser um valentão, mas você não acha que pode ser um valentão sem os EUA”. “Seu povo é muito corajoso, mas você ou fará um acordo ou nós estamos fora. E se nós estivermos fora, você vai perder”, disse.
“Você não está em posição de ditar como nós vamos nos sentir”, afirmou o americano, retrucando uma admoestação de Zelenski sobre o resultado do desengajamento americano. “Você não tem cartas agora, você está jogando com a vida de milhões, com a Terceira Guerra Mundial”, disse.
Ao fechar a reunião a jornalistas, inclusive um repórter da agência russa Tass que foi expulso por não ter credenciamento para estar lá, Trump ainda tripudiou: “Isso vai dar boa televisão, hein?”.
Mais tarde, Zelenski foi ao X “agradecer Trump, o Congresso e o povo americano”. “A Ucrânia necessita de uma paz justa e duradoura, e nós estamos trabalhando exatamente nisso”, escreveu. Já Trump disse horas depois que Zelenski “não parecia um cara que quer a paz” para seu país.
“A reunião não correu bem, ele apostou alto demais e perdeu. Os EUA não querem jogar nenhum jogo, queremos paz, e não dez anos de guerra. Se ele quer lutar, que lute, mas vai ter que fazer a paz. E para voltarmos a ter diálogo, ele tem que dizer que quer a paz, e ele não parecia um cara que quer a paz”, afirmou Trump à imprensa. Ele se recusou a responder uma pergunta sobre se os EUA cortariam o auxílio militar à Ucrânia e disse que um cessar-fogo na guerra “poderia acontecer imediatamente”.
Na Rússia, a porta-voz da chancelaria, Maria Zakharova, disse que foi um “milagre de contenção” Trump e Vance não terem batido em Zelenski. Já o ex-presidente Dmitri Medvedev qualificou o episódio como “uma bela palmada” no ucraniano.
O problema é que Putin não aceita a presença de forças de países da Otan na Ucrânia, aliás seu “casus belli” central em 2022. Nesse quesito, Trump concorda que Kiev não deve ser admitida no clube. Em relação à ajuda, a coisa complica no detalhamento dos números.
Na fala inicial, Zelenski buscou explicitar seus pontos. “Putin começou essa guerra. Ele tem de pagar”, afirmou, retrucando a afirmação de Trump anterior de que Kiev iniciou o conflito ao buscar ingressar na aliança militar ocidental, a Otan, uma linha vermelha geopolítica para o Kremlin.
“Queremos saber o que os EUA estão dispostos a fazer”, disse. Trump foi evasivo, dizendo que “não é alinhado a Putin, e sim aos interesses dos Estados Unidos e do bem do mundo”. Ele não se encontrava pessoalmente com Zelenski desde dezembro, quando ainda era apenas presidente eleito.
Ao mesmo tempo, o americano sinalizou manter a proximidade que deseja com o russo, dizendo que “Putin quer o acordo” de paz. Depois, o clima desandou de vez.
Como pano de fundo do encontro está o acordo para a exploração de minerais estratégicos da Ucrânia, que Trump usou como um artifício para pressionar Kiev a conversar em seus termos. De uma tomada de meio trilhão de dólares das riquezas ucranianas, o texto virou algo vago sobre parcerias e a montagem de fundo para a reconstrução local.
Agora, subiu no telhado de forma indefinida, embora integrantes da equipe de Trump tenham dito que ele ainda poderá ser assinado.
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Com informações de Folha de São Paulo e Jornal da Band
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